Você, meu passado amado,
em mim é constante presente,
e o presente é o imaginar
o futuro próximo contigo.
Futuro meu que passa rápido
e se transforma em passado,
e o presente é apagado
me tirando o tempo necessário
para ser e estar agora,
me tornando uma equação
sem resposta, só de incógnita.
Venha antes que o tempo,
chegue antes do passado
e teremos um futuro presente,
seremos eternos namorados.
Quero chegar no futuro
e ter certeza que meu passado
foi de uma vida ao teu lado.
O tempo está passando
já nem sinto mais o peso
da saudade, da incerteza ,
de tê-lo ou não daqui uns anos.
Sinto-me sempre em sua presença,
e ter visto os seus olhos uma vez
me basta, pois o meu futuro contigo,
amado meu, é presente, é o agora.
E vejo o futuro passado que teremos:
nós dois sentados em cadeiras de balanço
lembrando da juventude, serenos,
sorrindo abraçados
no balançar descompassado
da cadeira em frente a casa
que nós dois construímos.
Dizer que me preocupo com esse futuro passado
(que é, nada mais nada menos que, o futuro próximo)
seria mentir à mim mesma
algo desprezível, detestável.
Pois não me preocupo, apenas embarco
na temível e perigosa imaginação
onde o irreal pode se confundir
com algo quase que inquestionável.
Mesmo assim me sinto bem,
imaginando-o por perto.
Posso até me tornar esquizofrênica
mas o terei comigo, no quarto do hospício.
Não me importo como nem quando
voltarei a tê-lo e a vê-lo sorrir,
quero apenas as minhas promessas cumprir.
Promessa de vê-lo, de escrevê-lo
em cada poesia, em cada estrofe.
Ter-te no meu reflexo
e saber que és minha sorte,
aquilo que me faz ter vitória,
seja baseada nas derrotas passadas,
seja a lembrar da nossa história.
Gabrielle Portella
entre o belo da vida e a tristeza que contempla os sentidos
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Término
Caía a noite sem resposta
naquela tarde aconchegante.
Seu amor virou incógnita
temo ter sido o seu amante.
Minha mais bela boneca
por que me deixaste sem chão?
Te dei os oceanos em vida
mas teima partir em vão.
Esta tarde foi tão linda
então dê-me o resto da vida
de seu amor em meus braços,
não desate o nosso laço.
Por que tu queres ir?
Será que fiz algo de errado?
Comigo sempre te vi sorrir,
diga-me que sou seu amado.
Só pode ser isso,
tu não me ama mais.
Quer-me somente como amigo?
Deixarei-lhe em paz.
Fernando Faramílio
naquela tarde aconchegante.
Seu amor virou incógnita
temo ter sido o seu amante.
Minha mais bela boneca
por que me deixaste sem chão?
Te dei os oceanos em vida
mas teima partir em vão.
Esta tarde foi tão linda
então dê-me o resto da vida
de seu amor em meus braços,
não desate o nosso laço.
Por que tu queres ir?
Será que fiz algo de errado?
Comigo sempre te vi sorrir,
diga-me que sou seu amado.
Só pode ser isso,
tu não me ama mais.
Quer-me somente como amigo?
Deixarei-lhe em paz.
Fernando Faramílio
terça-feira, 26 de julho de 2011
Hospício da Solidão
Me chamaram de louca
por pensar com o coração.
Me enternaram nessa clínima.
Clínica da solidão.
Fui dopada para pensar excessivamente,
porém ficar sem emoção.
E, por mais que evitar eu tente,
penso sempre em você,
mas sem aquela antiga pulsação.
Platônico era apenas te ter,
agora também é te sentir.
O choro já não mais vem,
também não consigo sorrir.
Já perdi amor, casa, família,
só me resta perder
um pouco mais de pulsação
e quando mais nada me faltar
finalmente sairei daqui... num caixão.
Gabrielle Portella
por pensar com o coração.
Me enternaram nessa clínima.
Clínica da solidão.
Fui dopada para pensar excessivamente,
porém ficar sem emoção.
E, por mais que evitar eu tente,
penso sempre em você,
mas sem aquela antiga pulsação.
Platônico era apenas te ter,
agora também é te sentir.
O choro já não mais vem,
também não consigo sorrir.
Já perdi amor, casa, família,
só me resta perder
um pouco mais de pulsação
e quando mais nada me faltar
finalmente sairei daqui... num caixão.
Gabrielle Portella
Urros e Burros
Doida, invadiu-me discretamente
e no meu ser surtou sem pedir licença
me tornando louco instantaneamente
me trouxe arrepios e surtos a sua presença.
Gritam em uníssono a sua boca e o meu ser
ambos com a mesma desvairação.
Fora de mim urro sem querer
à chamar as lobas da salvação.
Mas ainda quero estar perto de você,
sinto em mim volúpia quando de ti estou perto
sei que desta loucura não poderei me desfazer,
então te ter é, ao meu ver, o mais certo.
Agarre-se em mim até tornarmo-nos um
e por toda a cidade me chamarão de burro,
mas serei feliz. E, como eu, nenhum
terá tão bela deusa do perfume mais puro.
Pode ser burrice minha amar uma louca
mas é burrice sua se juntar à mais um
que é como tu, um outro adoidado.
Mas sou louco por que sou seu amado.
Fernando Faramílio
e no meu ser surtou sem pedir licença
me tornando louco instantaneamente
me trouxe arrepios e surtos a sua presença.
Gritam em uníssono a sua boca e o meu ser
ambos com a mesma desvairação.
Fora de mim urro sem querer
à chamar as lobas da salvação.
Mas ainda quero estar perto de você,
sinto em mim volúpia quando de ti estou perto
sei que desta loucura não poderei me desfazer,
então te ter é, ao meu ver, o mais certo.
Agarre-se em mim até tornarmo-nos um
e por toda a cidade me chamarão de burro,
mas serei feliz. E, como eu, nenhum
terá tão bela deusa do perfume mais puro.
Pode ser burrice minha amar uma louca
mas é burrice sua se juntar à mais um
que é como tu, um outro adoidado.
Mas sou louco por que sou seu amado.
Fernando Faramílio
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Desventuras em Série
Certamente já deves ter assistido ou ouvido falar do filme Desventuras em Série, atuado por Jim Carrey (Conde Olaf). Esse filme foi baseado na série de livros de Lemony Snicket (heterônimo de Daniel Handler). Eu não sei se vocês se lembram do nome da família das crianças, era Baudelaire, esse nome não lhe parece conhecido? Pois é. É o mesmo nome do nosso grande poeta Charles Baudelaire.Eu fiz uma pesquisa e vi que o ano em que Daniel Handler retrata a história do seu livro bate com o ano em que Charles viveu.
Vocês se lembram que no filme havia uma luneta para cada integrante da família ? Lembram-se que o lugar onde o Conde Olaf armava os incêndios era um olho numa vidraça? Charles Baudelaire foi um dos percursores do simbolismo e fez grande influência nos preceitos maçônicos.
(A baixo está uma foto do filme Desventuras em Série, onde eu marquei os olhos que aparecem, que também são símbolos maçônicos e usados em outras seitas também. Ignore os olhos do Conde Olaf, foi apenas uma brincadeira, rs)
Eu já postei duas poesias dele, as duas bem conhecidas, mas eu me intriguei mais com a Correspondances (correspondências), onde ele fala assim na primeira estrofe:
A natureza é um templo onde vivos pilares
Às vezes, deixam de fora das palavras confusas;
O homem passa por florestas de símbolos
Que o observam com olhos familiares.
Nunca entendi essa parte da poesia, mas esses dias eu vi num blog maçônico (não sei se posso citá-lo aqui, não pedi permissão pra isso) onde falava de um tal ritual da floresta. Veja uma parte da matéria deste blog:
O Ritual da Floresta teve seu surgimento associado às confrarias de fendedores (lenhadores), que dedicavam a vida ao culto da madeira e a alquimia que consistia na transformação da matéria viva em objetos de serventia ao homem. A sua técnica e a transmissão de seus segredos de ofício foram incorporados aos rituais que permitiam que o bom fendedor realizasse o trabalho com maestria e seguindo as leis naturais. Com o Ritual da Floresta os fendedores buscavam o seu caminho até Deus usando como base de ensinamento as suas técnicas copiadas do seio da floresta e assim associadas à presença do criador, extraindo o caminho moral a partir de seus instrumentos de ofício.
Este rito era praticado nas grandes florestas da França, Suíça, Noruega, Alemanha e Áustria, o ritual tem sua fonte provável nos Carpinteiros anteriores, os mais antigos, com grande influência cristã, sendo essencial a todos os carpinteiros de todas as especialidades e os Bons Primos Fendedores.
Achei isso super intrigante. Estou amando mais ainda todo esse mistério de Charles Baudelaire, e me interessando muito.
Com essa matéria podemos concluir que Daniel Handler é um grande fã de Charles Baudelaire, talvez seja maçom também, não sei... Quem sabe?
A única coisa que ainda não consegui encontrar foi se ele era religioso, se praticava os rituais e tudo mais, ou era apenas um admirador.... (me referindo ao Charles Baudelaire)
Vou pesquisar mais um pouquinho e falo pra vocês ok?
Por enquanto vou deixar um "gostinho de quero mais", rs.
Beijos amados e amadas.
Fiquem com Deus.
Assinar:
Postagens (Atom)
Palavra Solta
Buscar uma palavra solta faria sentido pra qualquer poesia mas a palavra solta não daria tanto sentido como falar sobre a palavra solta. ta...
-
Os anjos gritam aos meus ouvidos No tentar da suprema força de dizer quem é maioral E tem mais brilho Quem alcançar as minhas palavras Tapa...
-
Buscar uma palavra solta faria sentido pra qualquer poesia mas a palavra solta não daria tanto sentido como falar sobre a palavra solta. ta...
