A minha caverna sou eu.
Me escondo diariamente de quem sou,
tento esquecer o que me corrói,
tento fingir que estou bem.
Todas as noites um sono maldito me ilude
com a fantasia daquilo que queria ser.
Ele sufoca-me ao acordar .
Estou perdida!
Minha esperança eu plantei e rego-a com lágrimas.
A tristeza me é como fonte de realidade,
quebra-me as ilusões e fortalece-me as verdades.
Estou forte porque estou triste.
Minh'alma está atada numa cama de hospital,
O hospital é os meus pensamentos.
Desatarei nó por nó dessa minha condição
na ala dos meus sentimentos.
O passado é sempre melhor que o presente,
e no futuro desejamos o que um dia foi presente detestado.
É aquela velha história do "eu era feliz e não sabia".
Minhas feridas de outrora castigadas
hoje me parecem meros machucados.
E o que vivo ? Me é como câncer nas minhas ideias.
A felicidade é furtiva, passageira e inquietante.
ah se meu riso durasse mais que um pequeno instante,
ah se a vontade perdurasse em minha cabeça
e não se afogasse no desanimo
e não se detivesse no tempo fugaz.
E essa reticência que eu sempre ponho,
quando o que eu queria era dar ponto final,
uma exclamação, quiça, serviria .
Mas acabo em depressão, tristeza e poesia
...
Mas não me faltará páginas pra rascunhar a minha lástima,
depois da reticência pode haver um novo capítulo,
nesse posso pôr ponto final na minha angústia
e escrever um novo livro pra minha história.
Há tanta gente no mundo com tantos medos quanto a mim,
há Dom Quixote em toda parte lutando contra moinhos de vento
E eu sou um deles.
Secarei o meu choro que torna os meus olhos embaçados
assim verei melhor o horizonte,
onde a paisagem é mais bela .
entre o belo da vida e a tristeza que contempla os sentidos
domingo, 25 de outubro de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
Estou Viva
Conte-me algumas mentiras,
Apague-me de suas lembranças,
Mate-me as auto-cobranças,
Esfaqueie-me o sentimentalismo.
Mas, afinal, tudo já se fora por si só.
Limpei a minha alma com lágrimas,
sem questionar a Deus, nem lamentar.
Todos os nós que me prendiam eu mesma desatei.
Os rios da minha mente desbravei no escuro
e encontrei a sorte no dia da minha morte.
E estou mais viva:
O paraíso é o que faço dos meus pensamentos,
Inferno é não questioná-los.
Apague-me de suas lembranças,
Mate-me as auto-cobranças,
Esfaqueie-me o sentimentalismo.
Mas, afinal, tudo já se fora por si só.
Limpei a minha alma com lágrimas,
sem questionar a Deus, nem lamentar.
Todos os nós que me prendiam eu mesma desatei.
Os rios da minha mente desbravei no escuro
e encontrei a sorte no dia da minha morte.
E estou mais viva:
O paraíso é o que faço dos meus pensamentos,
Inferno é não questioná-los.
Gabrielle Portella
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Dia 17
Segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Já perdi a noção do que o mundo me reserva por detrás dessa porta, desse guarda, desse entrar e sair de médicos ou enfermeiros com laudos, com exames ou com uma simples garrafa de café ao fim de tarde, que me anuncia à confeccionar essas datas. É hora de desenhar em cada folha um dia, e agrupá-las no mural, uma atrás da outra. Faço isso aqui mesmo na recepção, pois ao conversar com uma enfermeira, sinto-me mais normal, mais humano, esqueço-me do motivo que me trouxe mais uma vez aqui.
Sábado, 17 de janeiro de 2015.
Já perdi a noção do que o mundo me reserva por detrás dessa porta, desse guarda, desse entrar e sair de médicos ou enfermeiros com laudos, com exames ou com uma simples garrafa de café ao fim de tarde, que me anuncia à confeccionar essas datas. É hora de desenhar em cada folha um dia, e agrupá-las no mural, uma atrás da outra. Faço isso aqui mesmo na recepção, pois ao conversar com uma enfermeira, sinto-me mais normal, mais humano, esqueço-me do motivo que me trouxe mais uma vez aqui.
Sábado, 17 de janeiro de 2015.
Les Yeux Ou-Verts
Horizontes pálidos na verde
aurora dos teus olhos
enlouqueço, adormeço
acordo a hora, à hora.
semanas que se estendem
e recaem sobre nossos coações
pacatos, frágeis - amantes.
Meu sono, meu sonho
lábios selados se beijam
o desejo nunca foi tão latente
a morte nunca outrora tão incoerente
os dias tornaram-se jornada
as noites, as tardes, passagens.
Fogos de artifício explodem
em silenciosos sorrisos
desvaneço em seu olhar
em seu olhar místico,
em seu sorriso tímido...
Como quem soubesse da vida.
Suas matrizes escondidas em nós
transformam os segundos em momentos infinitos.
Infinito-me na sua frequência
numa tenebrosa ausência:
colorida, doce, nova,
ardente, minha - nossa.
Cortejo sua neblina
anoiteço a sua rotina
entorpeço a sua mania
trago licor à sua poesia.
Gabrielle Lamarque e Pedro Venturini
aurora dos teus olhos
enlouqueço, adormeço
acordo a hora, à hora.
semanas que se estendem
e recaem sobre nossos coações
pacatos, frágeis - amantes.
Meu sono, meu sonho
lábios selados se beijam
o desejo nunca foi tão latente
a morte nunca outrora tão incoerente
os dias tornaram-se jornada
as noites, as tardes, passagens.
Fogos de artifício explodem
em silenciosos sorrisos
desvaneço em seu olhar
em seu olhar místico,
em seu sorriso tímido...
Como quem soubesse da vida.
Suas matrizes escondidas em nós
transformam os segundos em momentos infinitos.
Infinito-me na sua frequência
numa tenebrosa ausência:
colorida, doce, nova,
ardente, minha - nossa.
Cortejo sua neblina
anoiteço a sua rotina
entorpeço a sua mania
trago licor à sua poesia.
Gabrielle Lamarque e Pedro Venturini
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Desnorteio
Desnorteio-me mais dia-após-dia
Releio e rabisco velhas poesias.
Quando mesmo eu te disse adeus?
Não. Não disse.
Te disse à deus,
O confessei nossas desilusões
Desse despedir-se eterno...
De um reencontro incoerente
Numa sala de um hospital
...
!
Aonde está o norte?
Estive lá há alguns dias.
Por sorte por bom motivo
De um sentido que cativo.
Embora não tenha sentido...
E o que tem sentido?
Minha mente suplica calma
Mas, ora-bolas, eu tenho Alma
E "quem tem alma não tem Calma"
Já escreveu Alberto
numa confissão de sentidos.
Reinvento-me desnorteada
Na volúpia desse estrago
Na volúpia desse enfado
Na volúpia desse afago...
São onze horas e dezessete
No relógio da minha vida
À meia-noite tudo passa.
Dezoito velas, quem diria?
Espalhe-as pelo quarto
Não quero bolo
Não quero recado no inbox
Não quero falsidade.
Veja bem, a Minha idade
Trouxe-me gozo na dor
Aprendi a remendar as fases,
Passei-me de santa
Costurei uma manta
Pra proteger-me do amor.
Mas tudo isso sem rancor
Sem apontar o vilão
Poi se houver um
Beijo-lhe a boca e agradeço
Por minha vida estar exatamente assim:
Como está!
Sem lamento, por favor .
Escute Piaf comigo
Faça um café, faça amor
Faça o que quiser,
Faça o que der pra fazer.
E o que não der, deixe estar,
Deixe a vida cuidar
Que a vida há de melhorar!
Gabrielle Portella
Releio e rabisco velhas poesias.
Quando mesmo eu te disse adeus?
Não. Não disse.
Te disse à deus,
O confessei nossas desilusões
Desse despedir-se eterno...
De um reencontro incoerente
Numa sala de um hospital
...
!
Aonde está o norte?
Estive lá há alguns dias.
Por sorte por bom motivo
De um sentido que cativo.
Embora não tenha sentido...
E o que tem sentido?
Minha mente suplica calma
Mas, ora-bolas, eu tenho Alma
E "quem tem alma não tem Calma"
Já escreveu Alberto
numa confissão de sentidos.
Reinvento-me desnorteada
Na volúpia desse estrago
Na volúpia desse enfado
Na volúpia desse afago...
São onze horas e dezessete
No relógio da minha vida
À meia-noite tudo passa.
Dezoito velas, quem diria?
Espalhe-as pelo quarto
Não quero bolo
Não quero recado no inbox
Não quero falsidade.
Veja bem, a Minha idade
Trouxe-me gozo na dor
Aprendi a remendar as fases,
Passei-me de santa
Costurei uma manta
Pra proteger-me do amor.
Mas tudo isso sem rancor
Sem apontar o vilão
Poi se houver um
Beijo-lhe a boca e agradeço
Por minha vida estar exatamente assim:
Como está!
Sem lamento, por favor .
Escute Piaf comigo
Faça um café, faça amor
Faça o que quiser,
Faça o que der pra fazer.
E o que não der, deixe estar,
Deixe a vida cuidar
Que a vida há de melhorar!
Gabrielle Portella
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Latente
Estou delirando
mas estou consciente,
estou dispersa,estou ausente .
As datas memoráveis
sobrevoam o meu quarto
e se afastam lentamente.
Mas o último domingo
discretamente se destaca
e entorpece a minha mente.
Velhas cartas e poesias
são apenas cartas e poesias
são apenas textos incoerentes.
A fragrância desse dia
tem o seu cheiro, sua boemia
no pulsar: felicidade latente .
...
Quem diria que sem pretensão
num só dia o meu coração
encontraria uma direção?!
Gabrielle Portella
mas estou consciente,
estou dispersa,estou ausente .
As datas memoráveis
sobrevoam o meu quarto
e se afastam lentamente.
Mas o último domingo
discretamente se destaca
e entorpece a minha mente.
Velhas cartas e poesias
são apenas cartas e poesias
são apenas textos incoerentes.
A fragrância desse dia
tem o seu cheiro, sua boemia
no pulsar: felicidade latente .
...
Quem diria que sem pretensão
num só dia o meu coração
encontraria uma direção?!
Gabrielle Portella
sábado, 13 de dezembro de 2014
Navegante
O sol abaixou-se no horizonte
o dia findou-se incerto e duvidoso
a noite escurecia devastadora:
Mais um dia , mais uma hora,
mais alguns instantes ,
e o ciclo se reinicia.
A incerteza do que sou
me aguarda ao alvorecer
e me suspende o dia .
Guio-me pelos faróis da existência
à margem do mar da vida
na praia do Será-fim .
Sou navegante exploradora
desse imenso mar turbulento.
Vou sem pressa e sem anseio
hasteando as minhas velas
direcionada pelo vento.
Sem roteiro e sem mapas
ou planejados destinos,
dessa viagem apenas sei
que a minha única chegada
é também minha partida.
Hora navego, hora nado
gosto de sentir essas águas
dissolvendo o meu enfado,
as minhas concepções,
e tragando em suas ondas
minhas desilusões.
Não mais vivo, apenas navego:
Incerta, dissolvendo o meu ego
Assumindo que desconheço o mar
e já o amando, sem dizer amar.
Gabrielle Portella
Sou navegante exploradora
desse imenso mar turbulento.
Vou sem pressa e sem anseio
hasteando as minhas velas
direcionada pelo vento.
Sem roteiro e sem mapas
ou planejados destinos,
dessa viagem apenas sei
que a minha única chegada
é também minha partida.
Hora navego, hora nado
gosto de sentir essas águas
dissolvendo o meu enfado,
as minhas concepções,
e tragando em suas ondas
minhas desilusões.
Não mais vivo, apenas navego:
Incerta, dissolvendo o meu ego
Assumindo que desconheço o mar
e já o amando, sem dizer amar.
Gabrielle Portella
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Amanheço aos Dias Tortos
Amanheço aos dias tortos
solta, desconhecida.
Sinto o que passo,
se não sinto não sei
o que passou ou onde estou
se eu passei ou se ainda vou.
Ensurdeço a memória,
e sei que ao fim da história
não passo e nem vou
e desconheço onde estou.
Se eu soubesse o que sinto
sairia além das paredes
sobrevoaria as nuvens
seguiria aos sonhos
aos sonhos tão reais.
Mas se anoiteço fugaz
sonho e já não lembro
Se passou ou se sonhei
e acordo e nada sei.
Gabrielle Portella
solta, desconhecida.
Sinto o que passo,
se não sinto não sei
o que passou ou onde estou
se eu passei ou se ainda vou.
Ensurdeço a memória,
e sei que ao fim da história
não passo e nem vou
e desconheço onde estou.
Se eu soubesse o que sinto
sairia além das paredes
sobrevoaria as nuvens
seguiria aos sonhos
aos sonhos tão reais.
Mas se anoiteço fugaz
sonho e já não lembro
Se passou ou se sonhei
e acordo e nada sei.
Gabrielle Portella
sábado, 20 de setembro de 2014
Uma Palavra Cativa o Corpo
Uma palavra cativa o corpo
Sedento e faminto
A contorcer-se na penumbra de um quarto
Numa noite fria.
O corpo, insaciado e descontente ,
Desfalece em vida
A pulsar ardente
de sangue se inebria .
Os sonhos filtrados voam
E se aconchegam ao corpo nu
refletido nas lágrimas silenciosas e dispersas.
Acende-se então numa ideia fugitiva
Da sinapse : a lanterna
A luz fechada e exclusiva .
Os meridianos no corpo
Pintam constelações
E brilham, e ofuscam
A acalmar as emoções .
A noite dorme no corpo
Que amanhece completo
Em alvoroço na alvorada
A sentir estes versos discretos.
Gabrielle Portella
Sedento e faminto
A contorcer-se na penumbra de um quarto
Numa noite fria.
O corpo, insaciado e descontente ,
Desfalece em vida
A pulsar ardente
de sangue se inebria .
Os sonhos filtrados voam
E se aconchegam ao corpo nu
refletido nas lágrimas silenciosas e dispersas.
Acende-se então numa ideia fugitiva
Da sinapse : a lanterna
A luz fechada e exclusiva .
Os meridianos no corpo
Pintam constelações
E brilham, e ofuscam
A acalmar as emoções .
A noite dorme no corpo
Que amanhece completo
Em alvoroço na alvorada
A sentir estes versos discretos.
Gabrielle Portella
sábado, 30 de agosto de 2014
Aprendendo a Voar
Sob a luz duma tarde clara
cai no solo uma borboleta rara
aprendendo a voar.
Lagarta metamórfica
de asas azuis celeste
voa pelos ares
entre os céus e mares,
e se camufla, e se integra.
Entre a fenda de um precipício inexistente
e de um precipício da suma importância
ela sobrevoa contente
sua jornada
seu desfile celeste
seu derramar de gozo
nos olhares ao leste .
Reflete em suas curtas asas
a luz clara da lua,
a beleza da noite,
das estrelas nuas.
Reflete do dia o calor
no solo, na terra,
o desabrochar de uma flor
e em suas pétalas abertas:
o pouso ousado de amor.
Do néctar : seu perfume
Seu voo dançante ,
suas lagartas.
Voa experiente ao vento
Aprende enfim a voar ...
E cai, noturna ,
no cume do dia.
Como o cair das pétalas
das flores vazias ,
Gabrielle Lamarque
cai no solo uma borboleta rara
aprendendo a voar.
Lagarta metamórfica
de asas azuis celeste
voa pelos ares
entre os céus e mares,
e se camufla, e se integra.
Entre a fenda de um precipício inexistente
e de um precipício da suma importância
ela sobrevoa contente
sua jornada
seu desfile celeste
seu derramar de gozo
nos olhares ao leste .
Reflete em suas curtas asas
a luz clara da lua,
a beleza da noite,
das estrelas nuas.
Reflete do dia o calor
no solo, na terra,
o desabrochar de uma flor
e em suas pétalas abertas:
o pouso ousado de amor.
Do néctar : seu perfume
Seu voo dançante ,
suas lagartas.
Voa experiente ao vento
Aprende enfim a voar ...
E cai, noturna ,
no cume do dia.
Como o cair das pétalas
das flores vazias ,
Gabrielle Lamarque
quinta-feira, 1 de maio de 2014
J'ouvre les Fenêtres
Je marche sur la rue noir.
je regarde tout dans la matrice,
je regarde le monde dans le ciel noir
et ses murs faits de nuages gris .
Je ne le croyez pas.
Et je peux pas croire
Que mon univers dans ce toit,
c'est seulement ce que je vois,
c'est seulment seul... c'est sans toi.
Je comprends alors mes sentiments,
J'arrives au dernier etage du bâtiment
Je monte vite l'escalier,
j'ouvre les fenêtres.
Et enfim je peux aimer.
Gabrielle Portella
Gabrielle Portella
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Palavra Solta
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