quarta-feira, 11 de abril de 2012

Saudosista...

O saudosismo que vagueia empoeirado pela sala
é evidente no olhar do pianista concentrado,
e nas folhas secas vistas pela janela entreaberta.
Tudo contribui. Tudo é memória. Tudo é saudade.

As vozes e os ruídos que ecoam pela casa
são nossas conversas das tardes tardias,
que dançam ao balançar das cortinas brancas.
Tudo contribui. Tudo é memória. Tudo é saudade.

Inconformo-me sem teus sorrisos, tuas besteiras, teu amor,
e em nudez protesto (deitada no chão), a falta que me faz
as tuas carícias, teu afeto e, confesso, não dei valor.
Tudo contribui. Tudo é memória. Tudo é saudade.

 (Casa sem móveis. Ecoa o choro. Toda a minha dor.)

Rolo pelo chão, juntando as poeiras na pele.
Fixam-se em mim os fardos da recordação,
e tudo o que eu queria agora, de volta,
eram os seus dedos entrelaçando-se em meus cabelos...
Tudo contribui. Tudo é memória. Tudo é saudade.... e dor.

Gabrielle Castaglieri

terça-feira, 6 de março de 2012

Vida

Morte diária. Constante mudança.
Nunca um sempre. O ponto. Desencontro.
Evolução. Criação. Reação.

Tempo perdido. Horas errôneas.
Instante eterno. Questões perturbadoras.

Vida que se cria. O tudo é dela. Nada sem ela.

Vida que dá vida.Vida que dá morte.
Vida que nada se dá.

Nela o respirar. O universo.
O abstrato. O erro. O incerto.
O concreto. O certo. O inverso.

Nela a partida. O recomeço.
O sempre-sempre. Alvorecer.
Após a morte. O renascer.

Vida, que beija a morte e se refaz.
Vida. Sem mais.

Gabrielle Castaglieri

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Soneto "Outra Vez"

Deixar amanhecer outra vez.
Deixar desacelerar, outra vez, o coração.
Deixar passar o momento e a insensatez.
Deixar e deixar e deixar, outra vez.

Fazer o alvorecer e o orvalho serem,
outra vez, o renascer do amanhã.
Fazer, outra vez, a pausa perante a brisa.
Fazer e fazer e refazer, outra vez.

Sorrir contra os pensamentos, outra vez.
Sorrir até que os lábios se sequem.
E, outra vez, sorrir e sorrir e fingir.

Ouvir com calma o canto de um velho
que, com voz serena, delicia a melodia
E, mais uma vez, ouvir e ouvir e...

Gabrielle Castaglieri

Desculpe!

Será que, ainda que triste, poderás entender?
Que o que reside em mim resiste, e não se faz ceder.
Que o que descubro (tarde) que existe, em mim faz doer.
Que hoje choro por ti, e não sei como te dizer (o porque).

Hoje observo o céu rosado, desse lindo amanhecer,
E ele me traz algo seu, e só preciso te devolver.
Mas não sei, querido, não sei como te remeter...

Coitado de ti! Querias tanto um amor...
Coitado de ti! Pois eu só te trouxe mais dor.
Coitado... Desculpe! Por seu sorriso descompor.

Gabrielle Castaglieri

Caro amigo Tananã,

Coisas vêm acontecendo
enquanto esta noite vai cedendo
para o sol resplandecer .
Minha escuridão está morrendo,
e a aurora está acendendo
um outro amor para viver.
Venho te admirando
A cada dia mais te amando
dum jeito que eu não sei dizer.
Posso até estar delirando,
estar até já inventando
sentimentos por você...

Gabrielle Castaglieri

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Delírios inquietos do amanhã

O assistir da caminhada do Sol perante as nuvens
É delirante inquietação do esperançoso amanhã.
Vê-lo descendo lentamente no imenso céu azul
E senti-lo aquecendo todo o corpo ao meio-dia
É como volúpia crescente e cheia de ardor.

E quando a noite chega a sensação é transbordante,
Então sou toda reflexo de um ardor, de um amor.
A pele sente a brisa, e o calor corre pelas ruas.
Tudo vira uma pintura ao delicado brilho da lua.
E a ansiedade predomina, os olhos se cansam.
A hora passa vagarosa, sem se deixar notar.
Mesmo pela luz das estrelas, tudo passa devagar.

E em cada bocejar há o medo de dormir,
E assim perder a hora de acordar e acompanhar
Cada passo da caminhada diária do Sol,
Cada brilho de esperança enviado nos teus raios.

E quando o Sol vem aparecendo atrás dos prédinhos,
A cidade inteira vai clareando, e o calor vai acendendo
A fé nas almas e nos corações dos apaixonados.
E tudo passa ter vida nova, novos ares, novas cores,
E eu fico acompanhando cada passo do Sol, delirando,
Imaginando diversas aventuras que o amanhã me aguarda.

Enquanto isso o vento vai levando o  tempo consigo,
E eu vou ficando num espaço mofado, empoeirado,
E eu vou me iludindo, vou te deixando pro futuro
E eu vou, desvairada, esquecendo-me pouco a pouco
Do porquê da minha rotina atrapalhada e delirante,
Do porquê de ter esquecido-me de mim,
E  ter-me deixado aproximar-me do fim.

Gabrielle Castaglieri

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Fez-se eterno no efêmero.

Fez-se grande em beleza
de sua face, de seus atos,
de seus gestos, de sua sutileza.

Fez-se eterno no efêmero,
nos poucos instantes,
no tempo rápido e derradeiro.

Fez-se amado e amador
de puras canções,
de puras palavras, puro amor.

Fez-se constante pensamento
perturbado e turbulento,
como a dor de um acalento.

Fez-se notável época
de mudança, de descoberta,
de realizações, de aprendizagem.

Gabrielle Castaglieri

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Memorial

Nosso tecer de frases naquelas tardes serenas
me trazem a lembrança do canto de um pássaro,
de um vendedor de cocadas esbravejando na rua,
de uma brisa atrevida que me invadia a janela...

Aquele amor tecedor de alegrias infindas,
que fazia-me esquecer-me de mim e da vida.
Aquelas poesias de nós dois, intercalando-se
no mesmo amor, na mesma dor, na vida em si.

E sua ansiedade crítica e suas unhas ruídas...
e a alta pulsação predominante em nós
e nossas desventuras e nossas conquistas.

E tudo sobrevoa no agora, num instante imparcial,
nesta hora estranha que não se deixa levar,
que de tudo ficou, na hora, este simples memorial.

Gabrielle Castaglieri

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Essência do amor.

Deixe que essa doce essência do amor
encha nosso lar e deixe a certeza de que
ali desabrochou uma flor bela e cheirosa.

E que nós nos lembramos ao sentir o cheiro
que ali esteve uma bela rosa do amor
que desabrochou e fez-se forte,
mas morreu, como todos as outras morrem,
deixando apenas a sua doce essência,
infinita e doce essência, do verdadeiro amor.

 Gabrielle Castaglieri

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Eu, você sentimos... Nós.

Loucura minha pensar tanto em você,
mas o que posso fazer se o seu olhar,
de longe, silencioso, curioso e discreto,
teima adentrar no meu espírito e dizer-me,
com as mais doces e belas palavras,
que quer-me, só a mim, que quer-me?
O que faço eu nesses encontros calados
onde os olhos amorosos de nós dois,
cansados, machucados e esperançosos,
dizem que querem olharem-se eternamente,
que para os meus olhos seus olhos são paisagens,
e para os seus olhos meus olhos são belas pinturas.

O que posso fazer se já amo estes teus olhos?
O que posso eu fazer com estes teus lindos olhos?
Por que cravastes em mim este teu brilho quieto?
O que posso eu fazer com este teu brilho quieto?

Sinto como se minh'alma voasse a cada encontro de olhar,
e sinto a sua alma voando a cada encontro de olhar.
E é como se as duas se pertencessem,
é como o encontro do desencontro das almas,
que agora voam para se abraçarem infinitamente.
Sinto que o que sinto é tão real, palpável,
sinto a verdade plena e tanta paz nisso tudo.
Eu sinto, é você. Você sente, sou eu.

Gabrielle Castaglieri

Você ou aquele...

Hoje não me vem à cabeça o então momento,
parece tão apagado e sombrio tudo que faço.
Mas há no decorrer das linhas desta poesia
a esperança do amor futuro e dos sonhos
e das promessas e dos planos e das juras,
como uma pequena vela se reacendendo.

E relendo cada palavra eu posso sentir
a mesma sensação de você me olhando.
Aquela sensação que me deixa incerta,
que me faz duvidar de mim, de tudo,
aquela sensação que me paralisa,
me deixa sem saber o que fazer ...

E agora eu já nem sei para quem escrevo...
de tão penetrante que aquele olhar foi em mim.
Não sei mais se você é realmente ele... não sei.
Talvez ele não exista mais em você,
e então eu mude para aquele, daquele olhar.
Aquele... aquele. Não mais você. Não sei...
Não sei porquê. Mas não mais você.

Escrevo para aquele que olhou-me nos olhos
e fez-me pensar em você não mais como o amor,
e sim como um amigo querido que ainda admiro...
Aquele que mudou tudo, e deu-me novo pulsar,
aquele que deu-me uma certeza tão forte,
certeza essa que não tive com você...

Ah, se não for aquele homem, meu Deus,
não sei o que faço comigo, o que faço de mim...

Gabrielle Castaglieri

Palavra Solta

 Buscar uma palavra solta faria sentido pra qualquer poesia mas a palavra solta não daria tanto sentido como falar sobre a palavra solta. ta...