segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Amor?

O sentimento aqui escrito
é distante e irreal
seja ele apenas vencido
por um verso banal.

Distante de mim é o que escrevo
pois meus sentimentos eu que invento
desde o princípio assim o foi
até o amor a arte inventou

Se não fosse pintura, poesia, música
nada se poderia sentir
teria um abismo em cada alma
e no mundo não haveria calma

Ser-me-ei com uma fonte
de sentimentos nunca antes vistos
sentirás em minhas letras
um amor sem resíduos

E vou escrevendo sem nada sentir
esperando que amor você sinta
sinta o amor que eu escrevi
e faça com que ele exista.

Gabrielle Portella

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Heartpatia

Suas descompassadas batidas cardíacas
falam mais que quaisquer palavras banais
não posso dizer que isso é nossa telepatia
mas qualquer um pode ver que temos sincronia
no olhar, no toque, nos passos d'encontro
sinto que fomos feitos um para o outro.

Sei que muitos inconscientes já disseram isso
mas há algo me dizendo que seremos felizes
nem que eu morra em pró do seu sorriso
Cobrarei sempre ao tempo o prometido.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O vente levou-te, o vento trouxe....

E que este seu vento
também traga-me amores
Que este nosso experimento
nos ensine novos valores.

Se o vento te levou
sei que foi para um campo.
Tudo o que ficou... passou...
menos o "eu te amo".

E esta frase é macieira
que bela fruta traz,
ou as tornamos boas,
ou as tornamos más.

Árvore do conhecimento
do bem e do mal,
agora que já a conhece
escolha bem, seja focal.

O amor, sendo puro,
é eterno. Como eu quero...
esta eternidade: é amor,
e é ela que eu espero
Então dela cuidarei,
tornarei-me brunidor
se for para zelar,
zelarei pelo amor!

Gabrielle Portella

Desbravador do amor.

Quero ter suas batidas
no momento em que escreveu
a contradição do amor.
Quero viver os versos teus.

O que te fez pensar
num amor assim?
É muito desejar
tê-lo só pra mim?

Volto ao passado
do qual eu nunca vivi
e encontro o meu amado,
é teu amor que eu senti!

Teu amor esperançoso,
sem origem e sem destino;
teu amor grandioso,
ao mesmo tempo de menino.

És desbravador do amor,
velejador dos sentimentos
quero ser o teu marujo
e ter-te a todo tempo.

Não sou os teus sonetos
da paixão de portugal
mas quero ser teu momento
de inspiração no vendaval.

E não me importo
se serei-lhe resistente.
Penso no hoje, pois me basta
o seu amor somente.

PS.: Essa poesia eu fiz à Luís Vaz de Camões, que foi um grande poeta português do século XVI. Ele quem escreveu a famosa poesia "Amor é fogo que arde sem se ver....". Com base nesta poesia e naquela "Erros meus, má fortuna, amor ardente" eu montei essa minha homenagem à ele, que merece por tanto me encinar sobre o sentimento mais questionado!
OBRIGADOOOOO CAMÕES *---* SALVE ^^v!
Gabrielle Portella

sábado, 20 de agosto de 2011

Ser sem fim

Lé génie du mal - Giullaume Geefs.
Quero ser.
Não somente ser.
Mas ser assim:
um ser sem fim.

Quero ter O verbo Ser
no infinitivo: tenho e sou.
E do Verbo conhecer
mas finito sei que sou.

E tenho um fim.
E ter o fim é não ter;
é o mesmo que morrer.
E ao fim nada terei.

Mas O Verbo diz existir.
O verbo Ser que é sem fim
Sim, O Verbo diz ser eterno.
Eterno O Verbo e o ex Querubim.

E ser verbo no infinitivo,
como morrer e doer,
pode ser muito ruim.
Pois, deixemos o Ser.

Mas todos querem Ser
Ser quis, o Querubim.
Mas ser eterno em morrer
é pior que ter um fim.

Gabrielle Portella

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A partida da Felicidade

Vai-se indo em meio a alameda
uma felicidade tresloucada,
o pulsar que dava vida
à esta miserável mal amada.
Efêmera loucura
mais lúcida que minha sensatez
trouxera o riso descontrolado
depois o choro e uma rigidez.

Naquele sentimento imortal
que prometi deixar intacto
rígida protejo-o deste vendaval
como uma aliança, um pacto.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Diz pra mim.

Diz que sou agora
o respirar e o nascer
Diz, ao menos, uma hora
que ainda posso te ter

Diz que vai me ver
não como fui, mas como sou
Diz que tu vai ser
o que não foi, mas se tornou

Diz que o que ficou
é verdade, não miragem
Diz que o que restou
é alegria e paisagem

Diz que está bem
depois do tal adeus
Diz pra mim também
que estou no sonho seu

Diz que já teve fim
pois não aguento a incerteza
Diz que acabou pra mim
e acabe com a nossa tristeza

Gabrielle Portella

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Duas amigas, um só coração.

Lembro-me bem de nossas tardes
risos, carinho, abrigo. É amizade!
Como pôde acolher-me assim?
E nas orações lembrar-se de mim?

Sei disso pois também recordo-me
de você vir em mim com um abraço
dizendo que Deus está comigo
justo naqueles dias de cansaço.

É pra mim um carinho, um afago,
saber que há você nesse mundo
onde tudo já está tão pra baixo.

Você nos traz seu sorriso
incomparável, assim, fraternal!
pois o carinho hoje é raríssimo
mas pra você ainda é matinal.

Para acabar revelo-te um desejo
desejo que tenho em vê-la feliz
e essa é a minha singela forma
de deixar na sua história minha raiz

E raiz é aquela que dura e suporta
tempestade, furacão, tsunami
quero ser assim na sua história

Saiba que minha mão está aberta
Para o que for preciso
Minha torcida já está estabelecida
e pra ti sempre terá um abrigo.

Gabrielle Portella e Bárbara Constante

PS.: Essa poesia eu fiz pra a Bárbara Constante (mamis). Foi a própria que nomeou a poesia, créditos à ela !

Dançando em um cemitério.

A triste recordação vai sempre ficar:
lembrança de uma tarde
num verão, com um bolero qualquer.
Ao calor, de mãos dadas
dançava o homem junto a sua mulher.

Rodopiavam sem parar
no lindo parque da cidade
choro até hoje ao lembrar
da triste cena daquela tarde.

Pôde-se ouvir no ultimo rodopio
o grito doentio da linda esposa
estava um corpo sobre o outro
uma alma partiu sem sequer
se despedir ou avisar sua mulher.

Era a bala que atravessara o peito
do dançarino, homem direito.
Não havia motivos para o matar
então os passantes começavam a indagar
o porque daquilo tudo
qual ser humano absurdo
seria capaz de matar um homem desse
que sorrindo sempre esteve.

Hoje já passaram-se anos
e a pobre viúva continua dançando
para seu falecido marido
em cima de seu túmulo, no cemitério,
continua vivendo no pretérito.

Gabrielle Portella 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dê-me a sua mão

Dê-me a sua mão,
assegure-me no teu colo.
Deusa rebelde
não aguento mais este vão
pois revelou-me celeste,
serena em mansidão.
Só tu podes preencher-me
dando a sua mão .

Me leve ao desconhecido mundo
que vejo no brilho do teu olhar
dê-me por uma eternidade
o seu tempero: ensina-me amar.

Está certa, é uma aliança mortal,
mas quando não sabe-se aprender
a deixar o habitual
para um novo mundo empreender.

Peço-lhe somente,
como jovem carente,
um pedaço do seu céu
e que dê-me a sua mão
para eu banhá-la no meu mel.

Tenho em mim uma colmeia
onde guardam-se meus desejos
sei que lá eles nunca se amargarão
e, se achar que mereço,
deixe-me lá guardar também a tua mão.

Faz-me sorrir, alegra-me
e tira-me da decadente esfera
onde estou a lutar desarmado
com uma terrível fera.

Serei-lhe fiel e darei-lhe o necessário
para voarmos na imensidão,
como jovens canários.

Nas suas vestes leves de seda
encontro a suficiente paz
e qualquer coisa que outra me ofereça
não me importo, tanto faz.

Fernando Faramílio

Cadê o meu limoeiro?

Eu vejo que esta cidade está mudando
Pessoas veem e vão cheias de seus afazeres
As crianças (que antes apenas brincavam)
hoje sempre carregam os seus relógios
Será que nas novas escolas ensinam
a se apressar e ler o ponteiro?

Antes o ar era coisa misteriosa
ninguém dele sabia, o decifrava
hoje já podemos até vê-lo!
E isso é o que chamam de evolução.

bibliografia
O que antes meus pais me falavam
(naquelas rodas de conversa)
hoje, mesmo velho, vejo acontecer.
Era aquela tal história do futuro
com nosso quintal sem árvores.
Mamãe dizia que era por embargo
embargo de uma autoridade.
Papai dizia que o limoeiro
também ia ter que arrancar
para que viesse um pedreiro
nas ruas da nossa cidade asfaltar.

Antes minha rua era cor de terra
marrom, vermelha, era mais bela!
Hoje tudo que vejo é cinza,
corzinha tão sem graça!
O que tem de legal nela?
Eu gostava mesmo era do verde
Cor que me acompanhava
onde quer que eu passava.

Mas minha frágil arvorezinha,
que dava vida ao meu quintal,
foi brutalmente devastada.
E devastação virou viral
nenhuma árvore é respeitada.

Fernando Faramílio

Palavra Solta

 Buscar uma palavra solta faria sentido pra qualquer poesia mas a palavra solta não daria tanto sentido como falar sobre a palavra solta. ta...