terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Nego nada

Tuas palavras correntes
Negam a negação.
Não ao nada 
Evidente, proporção.

Não à ninguém
Negas a língua
Faminta ao destino
Ou ao predestino.
(Sim àlguém ).

Gabrielle Castaglieri

Amando


Quando olho nos teus olhos
Lembro-me do aroma do óleo
Que no meu olho foi derramado
Com amor ou dor, foi derramado.

Óleo que fez-me ver e sentir
Tudo o que vim a descobrir
De santo em seu doce encanto.

Lembro-me de suas mãos em meu pescoço,
De tua carícia em meu doce dorso...
Ah, meu querido, e de teu corpo atento
Aos meus gestos, à cada movimento.

E nessa luta fria-quente
A gente mente, a gente sente
E se evitam os olhares.

Gabrielle Castaglieri

Abrindo os portões

Eu não sou nenhuma trouxa
Mas também não sou uma bruxa.
Não me defino, porém, louca
Mas escuto músicas da Miucha.

Sente-se no meu bom divã
E te direi com'é ser sã.
Mas na minha doutrina particular (aviso)
A sanidade n'é nada peculiar.

Doutrino em mim o saber:
A filosofia me faz viver.
Abrindo os portões da minha mente
É na verdade que estou crente.

Para quê olharei quando não vejo claro?
Ei de saber o que é claro para depois poder ver.
Entenda, na dúvida está o que é raro.
Que é o doce e puro amor pelo saber.

Volto e digo que não sou nenhuma trouxa
A carregar tantas mulambas
E que logo fica frouxa
E serve nem pra ir pras pampas.

Sou . E somente sou
À indagar minha existência.
Vou. E somente vou
À verdade suprir minha carência.

Gabrielle Castaglieri 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Entenda


Entenda que a gente tem de ser feliz.
Entenda, que nada foi como eu realmente quis.
Na verdade, quer saber?! Nem precisa entender.
Só quero ver você viver feliz!
Eu só quero ver você viver...

Eu sempre soube que nada iria passar
Mas sempre coube ter que me acostumar.
Porque o passado é mais presente que o presente
Mas não consigo me presentear um presente.

Gabrielle Castaglieri 



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Um soneto que diga do fim...

Antes de mais nada, escute :







Les Deux Saltimbanques - Pablo Picasso 
Para buscar ao fim, para saber do fim

Para buscar ao fim é preciso saber do começo
E saber do começo é uma busca sem fim;
É preciso saber de si com precisão,
Mas, com precisão, só sei que não sei de mim.

Porém o fim não se detém ao tudo.
O fim pode ser só o passar de um segundo.
O fim está sempre presente à tudo o que há
E é fim que indica sempre um recomeçar.

Ponto final fatal. É fim e fim.
Fim não contenta-se em manter-se único
Multiplica-se nas ações sempre havendo um novo fim.

Para saber do fim as reminiscências bastam.
Sendo assim, basta olhar para trás
Verás que o fim já findou-se, e no passado o fim jaz .

Gabrielle Castaglieri 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ser

E o ser sapeca minhas poesias,
Deixe estar... Deixe estar...
Cabe ser somente os instantes
Deixar o ser e deixar estar.

Ser-me-ei sangue latente
que corre ardente em corpo rubro.
Estar-me-ei em melodias quentes
que faz suar o corpo rubro.

Não quero o ser. Não quero ser
O que sou quando estou
Perto do ser, evitando ser
O que verdadeiramente sou.

Mas não estou mais perto do ser
Pois não estou mais perto de ser um troféu.
E não estou mais perto de querer
Estar perto do inferno ou do céu.
Quero viver o agora, ser fugaz,
Voar e planar no tempo...
E viver a paz dos momentos.
Ser no decorrer da vida
O degustar da vida.
Deliciar-me em desventuras
E também em conquistas.

Basta ser. Basta o ser.

Raquel Rodrigues

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Frágeis fragmentos

A fuga d'um frágil fragmento de tempo
fez n'alma frenesia de sentimentos
Fico estasiada e volátil:
meus deveres faço e desfaço;
da dança perco o compasso...
E, se de algo me esqueço, disfarço.

Sempre ou quase-sempre assim:
Um momento, e já perdi-me de mim.
E, no vento, vôo ao fastígio da fascinação
onde soa os nossos sussurros, imaginação.
E sentindo a fragrância suave d'seu pescoço
Je t'embrasse... e te abraço, sem muit'esforço.
Nesta sinfonia, vamos conforme'm sintonia.

Ilusório ou não, já não penso em despertar.
E desta fuga há somente o meu atrasar.
Pois somam-se fragmentos temporais
e resultam-se em fortes horas eternais.
E quando paro a enfrentar-me o reflexo
percebo que hibernei em um sonho complexo.

Não arrependo-me, entretanto, de tanto sonhar.
Pois sei que quando a realidade chegar
não ei de bocejar ou de ter sono.
Não será assim: um sonho enfadonho.
Entrelaçarei-me no seu corpo concreto
e gozarei na ventura d'um sonho secreto.

Contudo, cuidado com esta minha poesia.
Não confundas volúpia com maresia.
Sou de dar-lhe vinho quando há de ser,
e de brindar e de gargalhar e de beber.
Mas estes versos figurativos cheiram chocolate,
e são como seda fina nas mãos d'um alfaiate.
Pois aqui concentram-se fragmentos
dos meus mais puros e doces sentimentos.

Gabrielle Castaglieri

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Soneto Monólogo

Agora deixo o tempo a aguardar por mim
pois já não passo senão por alameda sombria,
pela penumbra do ontem sem fim...
Das tardes em que a vida sorria.

Tenho na doce lembrança um quarto apertado.
Tenho na gaveta uma infância empoeirada,
uma rosa murcha, um coração quebrantado
E recortes de fotografias amassadas.

E temo o que farei.
Pois do que passou, passou.
Mas do amanhã não sei.

E me regro. E me rogo,
para não perder o controle
deste meu monólogo.

Gabrielle Portella

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Ser que sou

Sou o que não se pode saber.
Assim: não saber ser.
Se sou não sei.
Se sei não sou.
E também não anseio saber.
Meu desejo é ser
E meu ser é desejo.

Sou uma taça de vinho
a deixar marca na mesa.
Sou de uma janta romântica
o licor, a sobremesa.
Sou de suas incógnitas
a única certeza.
Sou por hora serva,
por hora burguesa.

Só sei que não pertenço a ninguém.
Sou somente minha mansão.
Abandonada? Nem um pouco.
Por vezes um ou outro louco
Aluga-me à alto preço
de carinho, e sei que mereço.

Nada contém-me.
Mas contenho em mim tudo.
Não caminho em poucos passos
pois são grandes os meus traços
e meu traçar pelo mundo.

Nada detém-me.
E não detenho em mim tudo.
Meus desconfortos, sensações
e tantas outras impressões
sou de falar até aos surdos.

Em cada jornada, a boemia
e as minhas cenas e as poesias.
Um cigarro, um bar na cidade
por vezes esqueço-me da minha idade.

Sou o poder de fazer
quereres conhecer
o meu gosto acre,
o meu gosto doce.
Sou sensações
minhas e alheias.
Breves emoções,
no ressaltar das veias.

Soa o meu ser
ao suor que te corre ao corpo.
Soa o meu prazer
À dependência ao vento (ao sopro).

Raquel Rodrigues

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Mon grand amour

Je sais seulement que c'est toi.
Que complètes ma vie, oui, c'est toi.
Je simplement ne peux pas penser
en autre homme, pour mon coeur donner.

Autrefois j'ai eu très tristesse
Parce que je n'ai eu pas ta caresse.
Et mes larmes toujours à tomber.
Tout ça, seulement, par t'aimer.

Mais aujourd'hui c'est un nouveau jour.
Je t'embrasse, et nous faisons amour.
Tu m'emmène à les nuages, c'est ton don.
Et le vent chante la nôtre chanson.

Alors, aujourd'hui le ciel c'est trop bleu,
et c'est trop fort mon battement du coeur.
Ta présence c'est tout que j'ai besoin,
je voudrais toi en tous les recoins.

Gabrielle Portella

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Medo de mim

Nas manhãs nubladas do fim de minha infância
Já previa eu meus distúrbios do futuro
já temia eu o que aconteceria em mim
mas tudo era apenas pista no escuro
tentando mudar o imutável...
apagar o meu fim.
De mãos atadas hoje deixo a lágrima rolar
o que eu previ aconteceu, não tem como mudar.
Eu perdi-me em mim, não sei quem sou
cheguei aqui, mas não sei pra onde vou!
Tudo outrora era distante, uma possibilidade.
Agora tudo é tão claro... tudo é concreto...
Hoje aperta a dor da acre realidade
de que meus pesadelos estão bem mais perto.
Temo ainda mais o amanhã... desconheço-me!
O que eu quero está bem longe do que vou fazer.
Sei que eu vou tentar, mas não vou me conter.
É difícil dizer, é terrível pensar...
Eu sei, vou outra vez chorar.
Vou olhar para o sol e tentar entender...
Eu sei, vou outra vez sofrer.
Não vou conseguir dizer à ninguém o que há,
e alguém outra vez se preocupará.
Eu vou parar de escrever,
e sei, você não vai entender.
Mas  o que pode haver nas poesias
se minha mente me domina
e faz o que quer de mim?!
O que haverá de bonito quando
eu estiver surtando
por qualquer inutilidade?!
Ai, chegou a hora, eu sempre soube.
Sempre soube que essa seria a hora,
embora eu sempre tentasse fugir
e fingir que nada iria acontecer
agora só me resta assumir..
Assumir que estou perdida
que possa outra vez gritar,
e chorar, e dizer coisas sem sentido...
Porque eu perderei meus sentidos.

Gabrielle Castaglieri

Palavra Solta

 Buscar uma palavra solta faria sentido pra qualquer poesia mas a palavra solta não daria tanto sentido como falar sobre a palavra solta. ta...