sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

No nosso quintal


 Escute :
 














Não vou indagar-me sobre lutas passadas
Porque se se acabaram, ou já venci ou perdi.
Mas não perdi. A derrota eminente
É para quem ou o que era o oponente.

Ligues os meus versos imersos
Em grande sentimento de fé.
Te conheço, e sei que és complexo
Mas sei também que já estás de pé.

E acredito neste ardor
Sei que é pra sempre o amor.
Mas de nada me arrependo
Veja que nem estou podendo.

Forte bate o coração
Nas portas do meu ser,
Tenho tamanha gratidão
Mas também quero te ter.

Um dia a garoa pingará
Nas nossas roupas no varal
E quando ambos formos buscar
Haverá luz lá: no quintal.

Gabrielle Castaglieri

PS: Se a música que eu postei fosse "22-04" em vez de "22-11" seria bem melhor ! ^^ rsrsrs

Do esburacado muro

Do esburacado muro
Um passarinho surgiu.
Cê viu?!
Pois eu vi, foi lindo.

Resta saber se ele surgiu
Ou ressurgiu.
Cê viu de novo !?!
Ressurgiu!
Mas que barato,
Que imagem linda.

Onde pode haver um ninho
Dentro deste muro?
É um pouco triste, é um tanto duro,
Pensar no passarinho lá:
Sozinho no escuro.

Mas é confortante ver
Que ele é forte pra sobreviver,
Mesmo não estando em natureza
Ele canta no muro e torna a beleza
Muito mais bela, com certeza.

Gabrielle Castaglieri

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ser e des-ser


Ser e Des-ser

Não diga que eu não tentei
Ser o que querias que eu fosse
Me sujei, ao meu coração enganei
Mas uma hora se acabam as poses.

Dissimulei, não à ninguém
Somente a mim.
Dissimilei , porém,
O que é bom enfim.

Na verdade nunca fui
O que vês em sua mente.
Tu somente te poluis
Em sua mente que a ti mente.

Ser sem des-ser
É raridade para poucos.
Seja ser não dizer
Ser quando é oco.

Tenho sonhos palpáveis
Amores tão reais
Mas para seres lamentáveis
Amores podem ser fatais.

Não me lastimo do que faço
Quando o hoje é contente
Pois não sou de seguir os passos
De quem diz ser e mente.

Só mente somente
No imensurável irreal.
De sua mente, francamente,
Vá iluminar seu castiçal !

Se quiser ser basta ser
E viver a vida real.
Se quiseres crescer
Desça deste pedestal.

Gabrielle Castaglieri

Querido Amigo

Não me engano ao dizer que te amo
Mas não quero cair no engano
De renunciar a minha liberdade
Para deitar numa falsa verdade.

Veja, eu que pouco vejo daquilo
Sei que não estás tranquilo
Perdendo teu amor verdadeiro
Para seguir o dogma rotineiro

Se liberte de si e a ame
(Aquela que te ama e quer bem)
Não olhe pra mim e s'engane
Pois sem mim viverás bem.

Você tem um coração enorme
Que chora e ri quando se repousa
Você brinca, ama e dorme
Quando já cansado da força.

Não se lamente, se contente
Pela liberdade que lhe mostro
Sou livre assim, igualmente
E já não guardo mais remorso
De quem já quis meu pescoço,
Ou meu sangue em sacrifício
Pois ele foi também vitorioso
Ao ver minha vida em comício.

Sinta: meu poema é simplório
Mas diz o que a alma sente
Amo-o, pois peço e imploro
Que na verdade seja crente.

Abras teus olhos e sinta ser
O que sempre teu amiguinho escondeu
Que és mais poderoso que ele
Quando libertares dele o teu eu.

O céu é um lugar muito perto
Para pensar em somente alcançá-lo.
Não pode ser que isso esteja certo
Nada disso existiria se não fosse criado.

Ouça essa pura canção
Que parte da minha pulsação.
Venho cedê-lo acalento
Mais um eterno e doce momento.

Não acredite em destino, amigo !
Seja o vírus do sistema, querido!
Você sabe do que estou falando,
Mas acalme-se que só estou amando.

Não prego ironia nesta poesia
Eu nunca antes te amei tanto assim
Para te falar da verdade, sair da monotonia
E te desejar tanto bem enfim.

Mas entendas, serei tua amiga
Quando precisares de uma amiga.
Não quero ser tua mira e rotina
Tampouco ser tua suja piscina.

Te tiro das minhas costas e o faço pensar
No que pode ser o verdadeiro amar.
Mude sua vida se feliz quiser ser
E não somente  estar, em falta de poder.

Se te chamo de querido é porque é querido
Não foi ilusão um dia tê-lo lido
E hoje é possível dizer sou tua
Amiga e amiga e amiga tua.

Gabrielle Castaglieri 

PS: Escrevi essa poesia ao Pedro, que amo muito e desejo tudo de bom !!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Nego nada

Tuas palavras correntes
Negam a negação.
Não ao nada 
Evidente, proporção.

Não à ninguém
Negas a língua
Faminta ao destino
Ou ao predestino.
(Sim àlguém ).

Gabrielle Castaglieri

Amando


Quando olho nos teus olhos
Lembro-me do aroma do óleo
Que no meu olho foi derramado
Com amor ou dor, foi derramado.

Óleo que fez-me ver e sentir
Tudo o que vim a descobrir
De santo em seu doce encanto.

Lembro-me de suas mãos em meu pescoço,
De tua carícia em meu doce dorso...
Ah, meu querido, e de teu corpo atento
Aos meus gestos, à cada movimento.

E nessa luta fria-quente
A gente mente, a gente sente
E se evitam os olhares.

Gabrielle Castaglieri

Abrindo os portões

Eu não sou nenhuma trouxa
Mas também não sou uma bruxa.
Não me defino, porém, louca
Mas escuto músicas da Miucha.

Sente-se no meu bom divã
E te direi com'é ser sã.
Mas na minha doutrina particular (aviso)
A sanidade n'é nada peculiar.

Doutrino em mim o saber:
A filosofia me faz viver.
Abrindo os portões da minha mente
É na verdade que estou crente.

Para quê olharei quando não vejo claro?
Ei de saber o que é claro para depois poder ver.
Entenda, na dúvida está o que é raro.
Que é o doce e puro amor pelo saber.

Volto e digo que não sou nenhuma trouxa
A carregar tantas mulambas
E que logo fica frouxa
E serve nem pra ir pras pampas.

Sou . E somente sou
À indagar minha existência.
Vou. E somente vou
À verdade suprir minha carência.

Gabrielle Castaglieri 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Entenda


Entenda que a gente tem de ser feliz.
Entenda, que nada foi como eu realmente quis.
Na verdade, quer saber?! Nem precisa entender.
Só quero ver você viver feliz!
Eu só quero ver você viver...

Eu sempre soube que nada iria passar
Mas sempre coube ter que me acostumar.
Porque o passado é mais presente que o presente
Mas não consigo me presentear um presente.

Gabrielle Castaglieri 



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Um soneto que diga do fim...

Antes de mais nada, escute :







Les Deux Saltimbanques - Pablo Picasso 
Para buscar ao fim, para saber do fim

Para buscar ao fim é preciso saber do começo
E saber do começo é uma busca sem fim;
É preciso saber de si com precisão,
Mas, com precisão, só sei que não sei de mim.

Porém o fim não se detém ao tudo.
O fim pode ser só o passar de um segundo.
O fim está sempre presente à tudo o que há
E é fim que indica sempre um recomeçar.

Ponto final fatal. É fim e fim.
Fim não contenta-se em manter-se único
Multiplica-se nas ações sempre havendo um novo fim.

Para saber do fim as reminiscências bastam.
Sendo assim, basta olhar para trás
Verás que o fim já findou-se, e no passado o fim jaz .

Gabrielle Castaglieri 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ser

E o ser sapeca minhas poesias,
Deixe estar... Deixe estar...
Cabe ser somente os instantes
Deixar o ser e deixar estar.

Ser-me-ei sangue latente
que corre ardente em corpo rubro.
Estar-me-ei em melodias quentes
que faz suar o corpo rubro.

Não quero o ser. Não quero ser
O que sou quando estou
Perto do ser, evitando ser
O que verdadeiramente sou.

Mas não estou mais perto do ser
Pois não estou mais perto de ser um troféu.
E não estou mais perto de querer
Estar perto do inferno ou do céu.
Quero viver o agora, ser fugaz,
Voar e planar no tempo...
E viver a paz dos momentos.
Ser no decorrer da vida
O degustar da vida.
Deliciar-me em desventuras
E também em conquistas.

Basta ser. Basta o ser.

Raquel Rodrigues

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Frágeis fragmentos

A fuga d'um frágil fragmento de tempo
fez n'alma frenesia de sentimentos
Fico estasiada e volátil:
meus deveres faço e desfaço;
da dança perco o compasso...
E, se de algo me esqueço, disfarço.

Sempre ou quase-sempre assim:
Um momento, e já perdi-me de mim.
E, no vento, vôo ao fastígio da fascinação
onde soa os nossos sussurros, imaginação.
E sentindo a fragrância suave d'seu pescoço
Je t'embrasse... e te abraço, sem muit'esforço.
Nesta sinfonia, vamos conforme'm sintonia.

Ilusório ou não, já não penso em despertar.
E desta fuga há somente o meu atrasar.
Pois somam-se fragmentos temporais
e resultam-se em fortes horas eternais.
E quando paro a enfrentar-me o reflexo
percebo que hibernei em um sonho complexo.

Não arrependo-me, entretanto, de tanto sonhar.
Pois sei que quando a realidade chegar
não ei de bocejar ou de ter sono.
Não será assim: um sonho enfadonho.
Entrelaçarei-me no seu corpo concreto
e gozarei na ventura d'um sonho secreto.

Contudo, cuidado com esta minha poesia.
Não confundas volúpia com maresia.
Sou de dar-lhe vinho quando há de ser,
e de brindar e de gargalhar e de beber.
Mas estes versos figurativos cheiram chocolate,
e são como seda fina nas mãos d'um alfaiate.
Pois aqui concentram-se fragmentos
dos meus mais puros e doces sentimentos.

Gabrielle Castaglieri

Palavra Solta

 Buscar uma palavra solta faria sentido pra qualquer poesia mas a palavra solta não daria tanto sentido como falar sobre a palavra solta. ta...