domingo, 20 de março de 2016

Eu não queria questionar esse teu jeito



Eu não queria questionar esse teu jeito
eu não queria me questionar.
Foi uma vida por assim viver:
Me esforçando sempre pra ser a melhor
Pra ser a melhor pra você.
Eu te dava tudo, você me cobrava
Se qualquer outra pessoa assim fizesse
Eu me doía, eu me importava:
Ninguém pode me tratar assim.
Mas você...
Você trazia o sustento
Você se dedicava aos nossos filhos
Você me dava um acalento
E ainda que por um só momento
eu me sentia amada.
E neste vago sentimento
Eu sustentava o meu orgulho,
O meu argumento de alegria
Pra eu dizer aos outros
Que toda a minha vida
Tinha sido preenchida
Pra eu dizer a mim mesma
E me provar todo os dias
Que eu não vivi uma fantasia.

Mas o tempo foi secando
O que antes transbordava
Todo aquele seu discurso
De amor pra eternidade
Foi ficando no passado
E quando eu fui me dar conta
A gente já nem conversava.
E aquela sensação de ser amada
Não preenchia mais a lacuna .
A ferida aberta agora sangrava.
...
E agora eu sei
A dor me fez chorar
Mas também me fez perceber
Que o que sofri por te deixar
Não se compara ao que você me fez sofrer.


Gabrielle Portella



O amor é um comércio
Uma propaganda na mídia
Uma cantiga de amigo
De um trovador exagerado.
O amor foi mesmo inventado.
Num poema, numa canção
E até mesmo no coração...
Quem inventou essa doença?
Que profeta dessa suja crença
Espalhou por todo canto
Que o amor é um encanto,
Um conto de fadas,
Chocolate, flores e poemas?
O mesmo discurso: se não houver não compensa.
Propriedade privada,
Mulher acatada,
Boa pra casar,
Aliança dourada,
O pai tem que conceder.

“se não for assim não é amor”
“o amor faz padecer”
“o amor traz dor”

Criamos tantas definições
De como devemos amar,
Quando na verdade o carinho
Não é dor nem penar.

Gabrielle Portella

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Ame-se

Não sei usar as palavras.
Na verdade não sei quais palavras usar
pra te fazer entender minha estima
te fazer entender o quanto eu quero
beijar tua boca cada vez que me lembro
do quanto tua influencia me fez
amar bem mais a mim.

E por me amar posso te sentir
e, mais que meu amor, desejo a você
que se ame e cresça ainda mais
pois não acredito que qualquer amor
te faça tão bem quanto você mesma a faz.

Não sei usar as palavras
que definam tudo que eu quero
pois brilha tua estrela solitária
e só você mesma pode se fazer feliz..

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O Relato



Você desejou meu corpo me querendo possuir
Mas a verdade é que você sempre precisou de mim:
Você precisava afirmar as tuas verdades,
As tuas verdades inventadas
Só pra dizer pra seus amigos
O quanto controla uma mulher.

Você desejou meu corpo já querendo o rejeitar,
Não se importou com meu gozo:
Só queria desfrutar.
E eu... 
eu sempre era a culpada pelo seu descontentamento,
Sempre ia me redimir
Ainda que não estivesse errada.
Alias, quando eu errei com você?

Os anos se passaram e eu descobri uma traição.
Você disse na minha cara que a culpa era minha
Que eu que não te dei atenção.
Eu fiquei desamparada...
Você tinha seu emprego, e eu era dona de casa.
Troquei minha independência pra ser a melhor esposa,
Me dediquei aos filhos,
E agora a minha casa vai ser vendida
Pra dividir contigo.

Mas ainda sim prossigo com sorriso rosto
Pois agora eu não tenho nada além da convicção
De que sem você eu posso mais:
Eu aprendi a dizer não.

Narrativa observadora

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Acordei de uma noite longa
acordei mas não descansei.
Há um enfado que se acumulou
e por este enfado que eu escrevo agora.
Porque antes cansada do que esgotada.
O cansaço é bom depois de abrir os olhos
cansei-me de dormir
cansei-me de esquecer
cansei-me da lentidão
cansei-me do marasmo
cansei-me
e cansada prossigo
alterando o caminho
pra ver se nessa rua
não mora o meu enfado.

Sigo com um sorriso largo
com o corpo dançante,
se me ver passar vai notar que estou bem
e mais, que estou ainda melhor.
Não caminho com a tristeza
meu andar é leve e preciso.

Não há nada melhor do que acordar disposta
e acompanhar o caminho do sol como quem lê uma poesia.
E ao anoitecer deitar-se contente como quem deita nas nuvens.

 Gabrielle Portella




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

De Todo Enfado

Olha,
não quero contar-lhe dos anos
não quero enfadar-lhe na história
na desventura de um riso
de um riso que fora quebrado
de
todo
o
meu
enfado.


Veja bem,
me dê uma notícia boa
um sorriso discreto,
uma conversa à toa.
Ou melhor, não me dê nada
porque a vida só fica gozada
quando há natureza nas nossas atitudes.

Esqueça,
de qualquer música que lhe traga o pranto,
ou mesmo um certo desencanto.
Ande disperso sem ter destino,
cruze uma rua desconhecida,
eleve os pensamentos aos novos prédios da cidade,
faça o que queres para que esqueça
de
todo
o
teu
enfado.

Entregue,
o teu sorriso à tua memória,
somente quando esta história
não te seja um fado
não te seja um peso
quando o penar seja um quadro
na tua parede
e que nele te guarde apenas
a lembrança
de
todo
o
nosso
...
agrado!



Gabrielle Portella
Por : Pedro Venturini


As vezes a tristeza invade uma área por mim inacessível.
As vezes o coração palpita como se o instante fugisse com a vida.
As vezes eu olho pela janela de um carro em movimento
eu olho e vejo minha alma acenar lá fora e estagnar-se na estrada
e o meu corpo teme a alma, e a alma perturba o corpo.

As vezes a tristeza me soa habitual que já nem sei se estou triste
As vezes a tristeza é minha esperança
como alguém que se entristece
e se entristece  por indignação.

As vezes chego acreditar que o caminho é mesmo assim
as vezes em que acredito: choro dentro, afogo o riso 
e sou um poço de emoções que volta o balde sempre
vazio.

 

sábado, 9 de janeiro de 2016

Ontem eu me perdi no caminho de casa.
Me perdi numa rua sem saída,
no caos da correria da cidade.
Me perdi mesmo e, quer saber,
se não me perdesse nunca me encontraria.

Ontem eu quis mudar o caminho
conheci uma rua escondida
um bosque com flores e oferendas.

Ontem eu cai quando corria.
Me espatifei no chão.
Depois me ergui despercebida
olhei pros lados e me senti sozinha
me senti única por espatifar-me ao chão.

Ontem eu conheci gente nova
gente que já se espatifou ao chão
gente que tinha coragem de dizer
sobre seu tombo, sobre sua queda.
Gente de verdade.
Gente que não teme .
Gente que não se esconde nos holofotes.
Gente que chora.
Gente que sente medo.
Gente que se perde.

Ontem eu sei que me perdi.
Mas das coisas que eu vivi,
das coisas que eu aprendi
estas jamais se perderão.

Gabrielle Portella

Rasgava o Sol

Rasgava o Sol à noite que durava quatro estações .
Inverno, outono, verão, primavera a florir sensações.
Cantei, pois, a um novo som, festejei, regozijei.
A sua face pintei. Então me abrace e somente sua serei.
Rabiscando versos no caderno eu vou
Devagar. A tinta vai traçando o meu amor.
O ontem então não mais será lagrimas de dor.

Ecoa na imensidão, será que podes ouvir?!
Uma serena canção, é inevitável sorrir.
Tocada por um piano, o canto é voz de mulher.
Emocionada ela está ao ouvir o coro da maré, que
A puxa à um destino totalmente desconhecido
Mar este que a traga ao amor que lhe é devido:
O amor que é verdadeiro, e assim correspondido.

Gabrielle Castaglieri

Palavra Solta

 Buscar uma palavra solta faria sentido pra qualquer poesia mas a palavra solta não daria tanto sentido como falar sobre a palavra solta. ta...