Acordei de uma noite longa
acordei mas não descansei.
Há um enfado que se acumulou
e por este enfado que eu escrevo agora.
Porque antes cansada do que esgotada.
O cansaço é bom depois de abrir os olhos
cansei-me de dormir
cansei-me de esquecer
cansei-me da lentidão
cansei-me do marasmo
cansei-me
e cansada prossigo
alterando o caminho
pra ver se nessa rua
não mora o meu enfado.
Sigo com um sorriso largo
com o corpo dançante,
se me ver passar vai notar que estou bem
e mais, que estou ainda melhor.
Não caminho com a tristeza
meu andar é leve e preciso.
Não há nada melhor do que acordar disposta
e acompanhar o caminho do sol como quem lê uma poesia.
E ao anoitecer deitar-se contente como quem deita nas nuvens.
Gabrielle Portella
entre o belo da vida e a tristeza que contempla os sentidos
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
De Todo Enfado
Olha,
não quero contar-lhe dos anos
não quero enfadar-lhe na história
na desventura de um riso
de um riso que fora quebrado
de
todo
o
meu
enfado.
Veja bem,
me dê uma notícia boa
um sorriso discreto,
uma conversa à toa.
Ou melhor, não me dê nada
porque a vida só fica gozada
quando há natureza nas nossas atitudes.
Esqueça,
de qualquer música que lhe traga o pranto,
ou mesmo um certo desencanto.
Ande disperso sem ter destino,
cruze uma rua desconhecida,
eleve os pensamentos aos novos prédios da cidade,
faça o que queres para que esqueça
de
todo
o
teu
enfado.
Entregue,
o teu sorriso à tua memória,
somente quando esta história
não te seja um fado
não te seja um peso
quando o penar seja um quadro
na tua parede
e que nele te guarde apenas
a lembrança
de
todo
o
nosso
...
agrado!
Gabrielle Portella
não quero contar-lhe dos anos
não quero enfadar-lhe na história
na desventura de um riso
de um riso que fora quebrado
de
todo
o
meu
enfado.
Veja bem,
me dê uma notícia boa
um sorriso discreto,
uma conversa à toa.
Ou melhor, não me dê nada
porque a vida só fica gozada
quando há natureza nas nossas atitudes.
Esqueça,
de qualquer música que lhe traga o pranto,
ou mesmo um certo desencanto.
Ande disperso sem ter destino,
cruze uma rua desconhecida,
eleve os pensamentos aos novos prédios da cidade,
faça o que queres para que esqueça
de
todo
o
teu
enfado.
Entregue,
o teu sorriso à tua memória,
somente quando esta história
não te seja um fado
não te seja um peso
quando o penar seja um quadro
na tua parede
e que nele te guarde apenas
a lembrança
de
todo
o
nosso
...
agrado!
Gabrielle Portella
| Por : Pedro Venturini |
As vezes a tristeza invade uma área por mim inacessível.
As vezes o coração palpita como se o instante fugisse com a vida.
As vezes eu olho pela janela de um carro em movimento
eu olho e vejo minha alma acenar lá fora e estagnar-se na estrada
e o meu corpo teme a alma, e a alma perturba o corpo.
As vezes a tristeza me soa habitual que já nem sei se estou triste
As vezes a tristeza é minha esperança
como alguém que se entristece
e se entristece por indignação.
As vezes chego acreditar que o caminho é mesmo assim
as vezes em que acredito: choro dentro, afogo o riso
e sou um poço de emoções que volta o balde sempre
vazio.
As vezes o coração palpita como se o instante fugisse com a vida.
As vezes eu olho pela janela de um carro em movimento
eu olho e vejo minha alma acenar lá fora e estagnar-se na estrada
e o meu corpo teme a alma, e a alma perturba o corpo.
As vezes a tristeza me soa habitual que já nem sei se estou triste
As vezes a tristeza é minha esperança
como alguém que se entristece
e se entristece por indignação.
As vezes chego acreditar que o caminho é mesmo assim
as vezes em que acredito: choro dentro, afogo o riso
e sou um poço de emoções que volta o balde sempre
vazio.
sábado, 9 de janeiro de 2016
Ontem eu me perdi no caminho de casa.
Me perdi numa rua sem saída,
no caos da correria da cidade.
Me perdi mesmo e, quer saber,
se não me perdesse nunca me encontraria.
Ontem eu quis mudar o caminho
conheci uma rua escondida
um bosque com flores e oferendas.
Ontem eu cai quando corria.
Me espatifei no chão.
Depois me ergui despercebida
olhei pros lados e me senti sozinha
me senti única por espatifar-me ao chão.
Ontem eu conheci gente nova
gente que já se espatifou ao chão
gente que tinha coragem de dizer
sobre seu tombo, sobre sua queda.
Gente de verdade.
Gente que não teme .
Gente que não se esconde nos holofotes.
Gente que chora.
Gente que sente medo.
Gente que se perde.
Ontem eu sei que me perdi.
Mas das coisas que eu vivi,
das coisas que eu aprendi
estas jamais se perderão.
Gabrielle Portella
Me perdi numa rua sem saída,
no caos da correria da cidade.
Me perdi mesmo e, quer saber,
se não me perdesse nunca me encontraria.
Ontem eu quis mudar o caminho
conheci uma rua escondida
um bosque com flores e oferendas.
Ontem eu cai quando corria.
Me espatifei no chão.
Depois me ergui despercebida
olhei pros lados e me senti sozinha
me senti única por espatifar-me ao chão.
Ontem eu conheci gente nova
gente que já se espatifou ao chão
gente que tinha coragem de dizer
sobre seu tombo, sobre sua queda.
Gente de verdade.
Gente que não teme .
Gente que não se esconde nos holofotes.
Gente que chora.
Gente que sente medo.
Gente que se perde.
Ontem eu sei que me perdi.
Mas das coisas que eu vivi,
das coisas que eu aprendi
estas jamais se perderão.
Gabrielle Portella
Rasgava o Sol
Rasgava o Sol à noite que durava quatro estações .
Inverno, outono, verão, primavera a florir sensações.
Cantei, pois, a um novo som, festejei, regozijei.
A sua face pintei. Então me abrace e somente sua serei.
Rabiscando versos no caderno eu vou
Devagar. A tinta vai traçando o meu amor.
O ontem então não mais será lagrimas de dor.
Ecoa na imensidão, será que podes ouvir?!
Uma serena canção, é inevitável sorrir.
Tocada por um piano, o canto é voz de mulher.
Emocionada ela está ao ouvir o coro da maré, que
A puxa à um destino totalmente desconhecido
Mar este que a traga ao amor que lhe é devido:
O amor que é verdadeiro, e assim correspondido.
Gabrielle Castaglieri
Inverno, outono, verão, primavera a florir sensações.
Cantei, pois, a um novo som, festejei, regozijei.
A sua face pintei. Então me abrace e somente sua serei.
Rabiscando versos no caderno eu vou
Devagar. A tinta vai traçando o meu amor.
O ontem então não mais será lagrimas de dor.
Ecoa na imensidão, será que podes ouvir?!
Uma serena canção, é inevitável sorrir.
Tocada por um piano, o canto é voz de mulher.
Emocionada ela está ao ouvir o coro da maré, que
A puxa à um destino totalmente desconhecido
Mar este que a traga ao amor que lhe é devido:
O amor que é verdadeiro, e assim correspondido.
Gabrielle Castaglieri
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Eu também estive em Rockland:
Suas paredes guardavam histórias
as histórias não ditas
a sociedade secreta
o medo
o desconhecido
o espetáculo
o Dom Quixote
os moinhos de vento.
Eu também estive em Rockland
Ditando verdades inventadas
verdades minhas.
Eu também estive em Rockland
em suas paredes pálidas
em suas camas vazias
em sua conversa desvairada
em suas vozes frias.
Eu também estive em Rockland
em sua sede por emplastro.
Eu também estive em Rockland
no corpo já fatigado
na cama: sua paralisia
no pulso acelerado
no carnaval de fantasias.
Eu também estive em Rockland
eu e tanta gente
tanta gente esquecida
com histórias que nunca sairão de lá.
Eu também estive em Rockland
cantando desvairada qualquer música da rádio.
Eu também estive em Rockland.
Eu também estive em Casa Verde .
Eu também estive em La Mancha.
Gabrielle Portella
Suas paredes guardavam histórias
as histórias não ditas
a sociedade secreta
o medo
o desconhecido
o espetáculo
o Dom Quixote
os moinhos de vento.
Eu também estive em Rockland
Ditando verdades inventadas
verdades minhas.
Eu também estive em Rockland
em suas paredes pálidas
em suas camas vazias
em sua conversa desvairada
em suas vozes frias.
Eu também estive em Rockland
em sua sede por emplastro.
Eu também estive em Rockland
no corpo já fatigado
na cama: sua paralisia
no pulso acelerado
no carnaval de fantasias.
Eu também estive em Rockland
eu e tanta gente
tanta gente esquecida
com histórias que nunca sairão de lá.
Eu também estive em Rockland
cantando desvairada qualquer música da rádio.
Eu também estive em Rockland.
Eu também estive em Casa Verde .
Eu também estive em La Mancha.
Gabrielle Portella
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
O Poeta
O poeta observa tudo discreto
em sua retina os versos se conectam,
as suas mãos castigadas pela escrita
revelam a sua paixão e a sua vida.
O poeta instiga-me os sentidos
com a sua beleza singela,
em seu olhar compreensível,
em sua ternura dispersa.
O poeta quebra-me a rotina
e desperta-me a paixão
a cada estrofe de sua poesia
sinto-me mais viva .
O poeta não sabe ou imagina
que seu traçar não é só no papel
ele inventa histórias ,
ele foge das rimas,
ele cantarola o poema,
ele sobe no caixote,
ele proclama pelas ruas,
ele me faz sentir bem forte
a felicidade por ser sua.
Gabrielle Portella

em sua retina os versos se conectam,
as suas mãos castigadas pela escrita
revelam a sua paixão e a sua vida.
O poeta instiga-me os sentidos
com a sua beleza singela,
em seu olhar compreensível,
em sua ternura dispersa.
O poeta quebra-me a rotina
e desperta-me a paixão
a cada estrofe de sua poesia
sinto-me mais viva .
O poeta não sabe ou imagina
que seu traçar não é só no papel
ele inventa histórias ,
ele foge das rimas,
ele cantarola o poema,
ele sobe no caixote,
ele proclama pelas ruas,
ele me faz sentir bem forte
a felicidade por ser sua.
Gabrielle Portella
domingo, 25 de outubro de 2015
A Minha Caverna Sou Eu
A minha caverna sou eu.
Me escondo diariamente de quem sou,
tento esquecer o que me corrói,
tento fingir que estou bem.
Todas as noites um sono maldito me ilude
com a fantasia daquilo que queria ser.
Ele sufoca-me ao acordar .
Estou perdida!
Minha esperança eu plantei e rego-a com lágrimas.
A tristeza me é como fonte de realidade,
quebra-me as ilusões e fortalece-me as verdades.
Estou forte porque estou triste.
Minh'alma está atada numa cama de hospital,
O hospital é os meus pensamentos.
Desatarei nó por nó dessa minha condição
na ala dos meus sentimentos.
O passado é sempre melhor que o presente,
e no futuro desejamos o que um dia foi presente detestado.
É aquela velha história do "eu era feliz e não sabia".
Minhas feridas de outrora castigadas
hoje me parecem meros machucados.
E o que vivo ? Me é como câncer nas minhas ideias.
A felicidade é furtiva, passageira e inquietante.
ah se meu riso durasse mais que um pequeno instante,
ah se a vontade perdurasse em minha cabeça
e não se afogasse no desanimo
e não se detivesse no tempo fugaz.
E essa reticência que eu sempre ponho,
quando o que eu queria era dar ponto final,
uma exclamação, quiça, serviria .
Mas acabo em depressão, tristeza e poesia
...
Mas não me faltará páginas pra rascunhar a minha lástima,
depois da reticência pode haver um novo capítulo,
nesse posso pôr ponto final na minha angústia
e escrever um novo livro pra minha história.
Há tanta gente no mundo com tantos medos quanto a mim,
há Dom Quixote em toda parte lutando contra moinhos de vento
E eu sou um deles.
Secarei o meu choro que torna os meus olhos embaçados
assim verei melhor o horizonte,
onde a paisagem é mais bela .
Me escondo diariamente de quem sou,
tento esquecer o que me corrói,
tento fingir que estou bem.
Todas as noites um sono maldito me ilude
com a fantasia daquilo que queria ser.
Ele sufoca-me ao acordar .
Estou perdida!
Minha esperança eu plantei e rego-a com lágrimas.
A tristeza me é como fonte de realidade,
quebra-me as ilusões e fortalece-me as verdades.
Estou forte porque estou triste.
Minh'alma está atada numa cama de hospital,
O hospital é os meus pensamentos.
Desatarei nó por nó dessa minha condição
na ala dos meus sentimentos.
O passado é sempre melhor que o presente,
e no futuro desejamos o que um dia foi presente detestado.
É aquela velha história do "eu era feliz e não sabia".
Minhas feridas de outrora castigadas
hoje me parecem meros machucados.
E o que vivo ? Me é como câncer nas minhas ideias.
A felicidade é furtiva, passageira e inquietante.
ah se meu riso durasse mais que um pequeno instante,
ah se a vontade perdurasse em minha cabeça
e não se afogasse no desanimo
e não se detivesse no tempo fugaz.
E essa reticência que eu sempre ponho,
quando o que eu queria era dar ponto final,
uma exclamação, quiça, serviria .
Mas acabo em depressão, tristeza e poesia
...
Mas não me faltará páginas pra rascunhar a minha lástima,
depois da reticência pode haver um novo capítulo,
nesse posso pôr ponto final na minha angústia
e escrever um novo livro pra minha história.
Há tanta gente no mundo com tantos medos quanto a mim,
há Dom Quixote em toda parte lutando contra moinhos de vento
E eu sou um deles.
Secarei o meu choro que torna os meus olhos embaçados
assim verei melhor o horizonte,
onde a paisagem é mais bela .
domingo, 5 de julho de 2015
Estou Viva
Conte-me algumas mentiras,
Apague-me de suas lembranças,
Mate-me as auto-cobranças,
Esfaqueie-me o sentimentalismo.
Mas, afinal, tudo já se fora por si só.
Limpei a minha alma com lágrimas,
sem questionar a Deus, nem lamentar.
Todos os nós que me prendiam eu mesma desatei.
Os rios da minha mente desbravei no escuro
e encontrei a sorte no dia da minha morte.
E estou mais viva:
O paraíso é o que faço dos meus pensamentos,
Inferno é não questioná-los.
Apague-me de suas lembranças,
Mate-me as auto-cobranças,
Esfaqueie-me o sentimentalismo.
Mas, afinal, tudo já se fora por si só.
Limpei a minha alma com lágrimas,
sem questionar a Deus, nem lamentar.
Todos os nós que me prendiam eu mesma desatei.
Os rios da minha mente desbravei no escuro
e encontrei a sorte no dia da minha morte.
E estou mais viva:
O paraíso é o que faço dos meus pensamentos,
Inferno é não questioná-los.
Gabrielle Portella
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Dia 17
Segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Já perdi a noção do que o mundo me reserva por detrás dessa porta, desse guarda, desse entrar e sair de médicos ou enfermeiros com laudos, com exames ou com uma simples garrafa de café ao fim de tarde, que me anuncia à confeccionar essas datas. É hora de desenhar em cada folha um dia, e agrupá-las no mural, uma atrás da outra. Faço isso aqui mesmo na recepção, pois ao conversar com uma enfermeira, sinto-me mais normal, mais humano, esqueço-me do motivo que me trouxe mais uma vez aqui.
Sábado, 17 de janeiro de 2015.
Já perdi a noção do que o mundo me reserva por detrás dessa porta, desse guarda, desse entrar e sair de médicos ou enfermeiros com laudos, com exames ou com uma simples garrafa de café ao fim de tarde, que me anuncia à confeccionar essas datas. É hora de desenhar em cada folha um dia, e agrupá-las no mural, uma atrás da outra. Faço isso aqui mesmo na recepção, pois ao conversar com uma enfermeira, sinto-me mais normal, mais humano, esqueço-me do motivo que me trouxe mais uma vez aqui.
Sábado, 17 de janeiro de 2015.
Les Yeux Ou-Verts
Horizontes pálidos na verde
aurora dos teus olhos
enlouqueço, adormeço
acordo a hora, à hora.
semanas que se estendem
e recaem sobre nossos coações
pacatos, frágeis - amantes.
Meu sono, meu sonho
lábios selados se beijam
o desejo nunca foi tão latente
a morte nunca outrora tão incoerente
os dias tornaram-se jornada
as noites, as tardes, passagens.
Fogos de artifício explodem
em silenciosos sorrisos
desvaneço em seu olhar
em seu olhar místico,
em seu sorriso tímido...
Como quem soubesse da vida.
Suas matrizes escondidas em nós
transformam os segundos em momentos infinitos.
Infinito-me na sua frequência
numa tenebrosa ausência:
colorida, doce, nova,
ardente, minha - nossa.
Cortejo sua neblina
anoiteço a sua rotina
entorpeço a sua mania
trago licor à sua poesia.
Gabrielle Lamarque e Pedro Venturini
aurora dos teus olhos
enlouqueço, adormeço
acordo a hora, à hora.
semanas que se estendem
e recaem sobre nossos coações
pacatos, frágeis - amantes.
Meu sono, meu sonho
lábios selados se beijam
o desejo nunca foi tão latente
a morte nunca outrora tão incoerente
os dias tornaram-se jornada
as noites, as tardes, passagens.
Fogos de artifício explodem
em silenciosos sorrisos
desvaneço em seu olhar
em seu olhar místico,
em seu sorriso tímido...
Como quem soubesse da vida.
Suas matrizes escondidas em nós
transformam os segundos em momentos infinitos.
Infinito-me na sua frequência
numa tenebrosa ausência:
colorida, doce, nova,
ardente, minha - nossa.
Cortejo sua neblina
anoiteço a sua rotina
entorpeço a sua mania
trago licor à sua poesia.
Gabrielle Lamarque e Pedro Venturini
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